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quinta-feira, 31 de março de 2011

Grito de Dor

Gritou mas ninguém a ouvia. Gritou mais alto, com grande esforço, mas a indiferença era total e ela sabia que não resistiria por muito mais tempo. Fechou os olhos, entregando-se à solidão que doía impiedosamente. Sem energias para reagir, projecta os seus membros para longe, em sinal de desistência. Sentia-se cansada para lutar contra seus próprios demónios interiores, que ganhavam grande expressão, cada vez que lhes dava oportunidade para se manifestarem e complicarem os seus dias, os quais deixaram de ter significado, demasiado previsíveis, insuportavelmente iguais.
Quase a sucumbir, mergulhada na sua própria dor, sem réstia de esperança, ouve a voz de uma criança, que a resgata daquele estado quase terminal. Instintivamente, abre os olhos para confirmar a presença de alguém a seu lado, naquele momento de sofrimento. É Santiago, seu filho, que aninhado junto dela a instiga a dar-lhe atenção. Sua meiguice ressuscitou-a, devolvendo-a à realidade e aos braços do seu tesouro de dois anos que apesar de não entender a dor da sua mãe, soube salvá-la do abismo.
Num movimento recupera as forças, que injecta para abraçar Santiago e agradecer-lhe os mimos que vieram no momento certo. A perda do marido abalou-a profundamente e ainda não conseguiu superar do trauma, que no dia do seu aniversário de casamento lhe bateu à porta. Vinha identificado, vestia farda azul e trazia péssimas notícias. Sua falta de sensibilidade levaram-no directo ao assunto, não tendo desperdiçado muito tempo com o acontecimento, esquivando-se logo de seguida da erupção de sensações que acabara de provocar. Maria deixou-se cair no chão da entrada abalada e gritou por David não contendo a dor que só Santiago consegue suavizar de vez em quando.    

FALO DE BONDADE!

Temos memórias diferentes. As tuas não são as minhas, nem as minhas são as tuas. Há algumas que gostaria de apagar e há outras que gostaria ...