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quinta-feira, 20 de julho de 2023

Pessoas Partidas

Gosto de pessoas partidas. Daquelas que não receiam expor as suas vulnerabilidades e não abafam aquilo que sentem, de bom e de menos bom. 
Gosto de pessoas imperfeitas e que têm consciência disso.
Seu olhar é diferente das demais. É um olhar que humedece com facilidade e nunca seca. Não confundamos com fraqueza. 
A vida não é fácil e deixa marcas indeléveis. Em resultado disso, uns endurecem e outros amolecem, sem que tenha havido um marcador temporal definido para registar esses efeitos. Simplesmente, foi acontecendo e usamo-los como revestimentos da nossa personalidade.
Vou soar obscurantista, mas acredito que a dor nos enriquece de uma forma mais pedagógica que a sensação de felicidade. A dor entranhada faz-nos dar valor aos momentos de felicidade com que somos premiados. Não se trata de achar que não merecemos ser felizes, é muito mais uma questão de gratidão, apreciação e valorização.
A volatilidade das emoções, dos próprios dias, a passagem do tempo, com ritmos diferentes, ora lentos, ora acelerados, a consciência disso, a consciência de nós mesmos, a medição das nossas tolerâncias e intolerâncias, o não sabermos quando vai acabar, a vividez das memórias antigas, a escassez de memórias recentes impressionáveis, o medo de partir a meio da festa e de copo na mão, a penumbra dos dias, o choro e o riso numa convivência atrapalhada e desordenada, o peso da dor tatuado em nós, geram uma sensibilidade apurada, que nos faz reagir ao clarão dos bons momentos e suas partículas de luz.
Pessoas partidas despertam o meu interesse.
Através do seu olhar e reações, retiro matéria para ocupar minha mente e divagar sem travões, porque sei que não estou a ser inoportuna, nem inconveniente. Elas seguem o seu caminho e eu sigo o meu, com elas no pensamento, sem que elas saibam ou desconfiem.

   

FALO DE BONDADE!

Temos memórias diferentes. As tuas não são as minhas, nem as minhas são as tuas. Há algumas que gostaria de apagar e há outras que gostaria ...