quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Tropecei nos 50 e agora?

Aos cinquenta anos temos saudades, até daquilo que ainda não vivemos. 

A consciência do tempo que nos resta, acelera os batimentos cardíacos e intensifica as emoções, que nos colocam neste lugar de lucidez temporal. 

Tudo ganha relevo! 

O passado ganha terreno sobre o presente e o futuro, precipitando a nossa urgência de viver bem. 
É caso para dizer que, aproveitar os anos seguintes e não desperdiçar o doce deixado na ponta dos dedos é uma obrigação com benefícios. 

Atrever-se a ser feliz nunca soou tão necessário como agora, nesta fase, em que tudo é progressivo, a começar pelas lentes dos meus óculos, do dia a dia.

A vida vira um caso cada vez mais sério. 

Continuamos ativos, apesar da imagem refletida no espelho demonstrar o contrário. Flacidez, olheiras, papos, uma cordilheira de linhas e vincos, a denunciar as cargas vividas. 

Rimos com mais vontade. 

Ignoramos o que é relativo e circunstancial. 

Afinamos a inteligência.

As nossas manifestações e intervenções, não pedem licença. Querem romper com anos e anos de inibições e vontades reprimidas. 

Nem a "pousa" (alguém batizou), o castigo das mulheres de meia idade, nos faz perder a identidade e mudar de frequência. 

Queremos deixar tudo feito, tudo dito, tudo escrito, antes que nos cortem o pio. 
Nada ficará por fazer, nem por dizer. 
O essencial é a nossa maior prioridade. O resto são distrações, sem a menor importância. 

Dizem por aí que, a meia idade retira-nos parte da memória mas, em compensação, acrescenta-nos clareza, esvaziando-nos daquilo que já não faz falta. 

Tornamo-nos seletivas e cheias de intenção.

Respiramos fundo e suspiramos de forma involuntária e inconsciente. Autênticas panelas de pressão, fumegando por mais espaço. 

Pois é, são os 50 a chegar.

Como serão os dias subsequentes? 

Não sei mas prometo regressar e documentá-los para memória futura.  

Entretanto, virarei uma acumuladora militante, de singelas relíquias pessoais, cumprindo o ritual de gerações anteriores à minha.

Resumindo, não espero nada mas espero tudo do tempo que ainda me resta.

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