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quinta-feira, 10 de março de 2011

Amar sem castigo


O lobo mau, o bicho papão, o homem polícia, a bruxa má, são personagens que, certamente, reconhecemos do nosso passado infantil. Nossos pais recorriam a eles para nos educar através do Medo. A sua inaptidão para orientar nossos comportamentos, impelia-os a nomear os responsáveis pela aplicação dos nossos castigos, cada vez que ameaçassemos desobedecer suas ordens. Sem sabermos que criaturas hostis eram essas, fomos acumulando medos irracionais e criando formas de comportamento regulamentares, que ainda hoje carregamos sem questionar.
Desde pequenos vivemos prisioneiros de pensamentos; obssessões; associações de ideias, lógicas; crenças; penalizações, que fomos cimentando ao londo do nosso percurso existencial. Nossos medos estão acomodados a esses fundamentos rigídos, que nos afastam do desafio e de viver novas e estimulantes realidades. Tudo aquilo que transcende o nosso conhecimento nuclear pode tornar-se perturbador e expôr nossas fraquezas. A ansiedade dispara perante a novidade, tão estranha ao nosso léxico de conceitos induzidos. Por um lado queremos gozar de mais liberdade mas, por outro, sentimos medo de avançar e correr riscos. Isto porque fomos educados sem liberdade, sem incentivos e desmotivados a cometer riscos, por conta das consequências/castigos decorrentes da nossa ousadia.
Mas pior que o lobo mau, o bicho papão, o homem polícia ou a bruxa má são as chantagens emocionais, amigas e aliadas dos progenitores sem carteira educacional avalizada. Não há pior castigo que este. Sentirmo-nos culpados pelo que provocamos e achar que somos uma má influência por não obedecermos e contrariarmos os mandamentos paternos. "Somos teus pais e porque te amamos sabemos o que é melhor para ti e, portanto, se nos desapontares estás a matar o nosso amor por ti". Este tipo de tortura mental e emocional prolongada, atrapalha o crescimento da criança e complica as relações futuras, reféns desse amor controlador.
Confusos com tantas emoções à mistura, crescemos revoltados com essa liberdade condicionada, através dos caprichos e vontades dos nossos pais. Essa revolta interior ganha uma maior expressão quando não conseguimos criar um distanciamento, que impeça a conectação a esse comando poderoso e perigoso, que testa a nossa sensibilidade e capacidade de amar. Assistir de longe, apoiar sem amparar, cuidar sem sufocar, aceitar sem julgar, prestar atenção, compartilhar, são formas saudáveis de amar e ser amado, sem perigo de debilitar relações.

FALO DE BONDADE!

Temos memórias diferentes. As tuas não são as minhas, nem as minhas são as tuas. Há algumas que gostaria de apagar e há outras que gostaria ...