sexta-feira, 10 de abril de 2026

HORA SAGRADA

 
A hora do pequeno-almoço. para mim, é sagrada. É o meu luxo diário e não abdico.
O mundo pode estar a desabar nas minhas costas, que eu estou nem aí. Na verdade, nem existo ali. Só se vê o meu corpo, tudo o resto subiu e parece que vai demorar.
É uma prioridade que concorre com outras, na minha lista de gentilezas pessoais.
Hoje não foi exceção!
Para arrancar melhor, preciso desta fuga estratégica.
Nem sempre é fácil ligar o modo OFF, quando passamos a maior parte do tempo em modo ON.
No meu caso, acho que herdei da minha mãe este dom natural para desligar-me do mundo real e vagar nos meus próprios pensamentos. A idade ajudou a apurar um pouco mais.
Nas férias perco esse luxo e junto-me ao ruído das salas partilhadas, com opções variadas e diferentes combinações de sabores, uns mais tradicionais do que outros. Não consigo alhear-me e saborear aquele momento, demoradamente. Apresso a saída e refugio-me no fundo da esplanada, muito próximo dos vapo dependentes.  Pelo menos, estão em silêncio e livres de todos os incómodos.
Para mim é fácil compreendê-los e aceitar seus motivos. Ambos nos sentimos renegados fruto das escolhas que tomamos.
É uma necessidade urgente!
Não entendem, nem querem entender.
O nosso isolamento no exterior é voluntário e revigorante.

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